História Paroquial

A Igreja de Santo António das Antas

 
 
  Quem descesse a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, há 25 anos, encontrava, ao fundo, um campo a monte, onde pastavam ovelhas vindas da Rua Jerónimo de Mendonça, e um horizonte vasto que se estendia até à Serra de Valongo. Nessa altura dizia-se que tinha sido projectada neste mesmo local uma praça de touros, que, felizmente, não chegou a construir-se por não haver quem se aventurasse a tal empresa. Não existia ainda a avenida Fernão de Magalhães e o público mais interessado nela, nada sabia dela. A Praça de Velásquez, e ruas que a rodeiam nem no papel existiam. A rua Naulila poucas casas tinha e as demais ruas, que, constituem esta zona da Igreja das Antas não tinham mais que ela.
 
 
 
  A Paróquia de Santo António das Antas tinha sido criada há pouco -13 de Junho de 1938 -e num esforço notável, orientado por um grupo de católicos conscientes e de boa vontade, construiu a cripta duma Igreja que não pôde edificar-se.
 
Eng. João Botelho
 
 
 

Da Paróquia

  A 13 de Junho de 1938, na nossa “mui nobre e leal cidade do Porto”, por decreto episcopal de D. António Augusto de Castro Meireles, era criada a Paróquia de Santo António das Antas, cujo primeiro Pároco foi o Padre Crispim Gomes Leite.
Três anos mais tarde, o saudoso Padre Joaquim Teixeira Carvalho de Sousa foi nomeado Pároco desta Paróquia, ministério que exerceu até à data do seu falecimento, em 22 de Dezembro de 2003. Por orientação sua, foi erigida a actual Igreja de Santo António das Antas, obra que se iniciou há 60 anos, com a bênção da primeira pedra em 13 de Junho de 1948. Seis anos mais tarde, quando a Igreja ainda “sem frontaria, paredes nuas e descarnadas, sem torre, sem residência paroquial, com portas e soalho de pinho, com altares velhos, com o coro tapado por tijolo” foi benzida e nela se iniciou o culto paroquial, o então Abade das Antas apelava à boa-vontade dos paroquianos, para concluir as obras em falta: “Quero deixar aqui o meu agradecimento a quantos levantaram esta obra, e fazer votos para que dentro de breve tempo não haja nenhum paroquiano que não tenha na sua Igreja Paroquial sangue do que lhe gira nas veias...”
Depois que o Cónego Joaquim partiu para a Casa do Pai, foi nomeado nosso Pároco, por D. Armindo Lopes Coelho, o Padre António José Rodrigues Bacelar. Foi ele o impulsionador das Obras de Reformulação realizadas em diversos espaços da Igreja, nomeadamente, nas Capelas Mortuárias, na Sacristia, na Secretaria e outros locais de apoio ao culto, recentemente concluídas. No entanto, os elevados custos associados a esta intervenção, que a todos veio beneficiar, só poderão ser pagos, uma vez mais, com a generosidade dos paroquianos, especialmente inspirados à partilha, nesta quadra, pela graça de Santo António.
 
Este ano, assinalaram-se, pois, no dia 13 de Junho, os 70 anos da criação da nossa Paróquia e os 60 anos da bênção da primeira pedra da actual Igreja.
A Paróquia não se limita a ser uma delimitação geográfica, é antes um espaço de relação entre os cristãos que a formam, e que se sentem unidos, acima de tudo, pelo amor a Cristo.
Cristo quer que nos amemos uns aos outros, como Ele nos ama e como ama a Sua Igreja. Por isso, convida-nos a participar na Santa Missa, a oração por excelência, que alimenta e renova a Fé de todos, manifestada em cada um segundo os seus próprios dons.
Na nossa Igreja das Antas, celebra-se diariamente a Eucaristia, que é o coração da Igreja viva e fonte de evangelização cristã. Agradecemos a Deus por esta Igreja de pedras onde nós, Igreja de homens, nos reunimos para Lhe falar e para O receber. E para o fazer, repetimos as palavras do Pároco que, há sessenta anos, mandou edificar este Templo:
   
 

Do Padroeiro

  É a festa do Padroeiro, Santo António, que ano após ano, se celebra no dia 13 de Junho e que se traduz por um tempo de alegria e de partilha fraterna entre a comunidade paroquial, animada pelo espírito d´«Il Santo», que empregou a sua vida a defender o pobre, a denunciar o egoísmo e a trabalhar arduamente em favor da Justiça e do Bem de todos, especialmente das crianças.
Nascido por volta de 1190, recebeu o nome de Fernando de Bulhões e, muito jovem, entrou na Ordem de Santo Agostinho, vivendo primeiro no mosteiro de S. Vicente, depois no de Santa Cruz, em Coimbra. Quando aderiu à Ordem de S. Francisco, Frei António de Lisboa partiu rumo a Marrocos, com o objectivo de anunciar o Evangelho aos muçulmanos, mas uma tempestade levou-o até à Itália e, naquele país, revelou-se um inspirado pregador, diplomata e pacificador, com um elevado nível cultural, a ponto do Papa Gregório IX lhe atribuir o epíteto de «arca do testamento». Senhor de profundos conhecimentos científicos, foi também o pioneiro da Ecologia enquanto ciência e exímio conhecedor da Botânica e até da actual Zoologia.
Além de tudo, tinha uma alegria contagiante, que continua a seduzir irremediavelmente as pessoas, que, em Portugal, o veneram como Santo Popular, casamenteiro e arauto das causas perdidas.
Figura marcante do seu e de todos os tempos, faleceu no dia 13 de Junho de 1231 e, em menos de um ano, foi canonizado, num processo ímpar na história da Igreja Católica.
Hoje, «Il Santo» continua a ser uma luz e um guia para o povo cristão, e à Basílica de Pádua, onde se encontra o seu túmulo, afluem diariamente muitos peregrinos, bem como centenas de orações devotas que, um pouco por todo o Mundo, lhe são enviadas, para, através dele, chegarem a Cristo.
 
Na nossa Igreja, a imagem do Padroeiro ergue-se ao lado do Altar Maior, de braços flectidos em direcção ao Céu, acompanhando o olhar, num gesto de orador que, em permanente diálogo com Cristo, (e)ternamente intercede junto d’Ele, em favor dos fiéis e visitantes. Mas Santo António pode ser também, nesta representação, o orador que, discursando à assembleia da Igreja, a instrui sobre o amor, a perfeição e a vontade de Deus.
O nosso Bispo D. Manuel Clemente comenta, a seu respeito: “É um enormíssimo português. Em toda a superfície da terra, até além das fronteiras da Igreja Católica e da tradição cristã, é muito respeitado. Até em meios islâmicos e budistas tem presença e é procurado”.
 
 
“Oh! bendita seja a nossa querida Igreja de Santo António das Antas.
Que o Senhor seja louvado, porque no-la deu e que Ela continue a ser - cada vez mais - um verdadeiro lar para todos nós.”
 

 

 Ana Paula Silva

 

Contactos

Igreja das Antas
Rua Santo António das Antas, 15
4200 - 483 PORTO
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